O cantor adventista Alexandre Campos, conhecido carinhosamente como “Caju”, faleceu em janeiro deste ano após uma longa batalha contra um câncer nos rins. Mas antes de partir, ele fez um último pedido que emocionou amigos e familiares: deixar sua voz registrada em uma canção que pudesse ser ouvida mesmo após sua morte.
Diagnosticado em 2022 com câncer renal, Alexandre enfrentou cirurgias e diversos tratamentos, mas a doença evoluiu para um estágio terminal. Internado no Hospital Regional de Campo Grande (MS), ele confidenciou ao amigo e músico Alexsandro Nogueira um desejo simples, mas poderoso: gravar uma música e disponibilizá-la nas plataformas digitais.
Uma gravação feita entre dores, fé e amizade
Ao ouvir o pedido, Alexsandro se comprometeu a realizá-lo. “Na hora, não consegui reagir. Acho que nem percebi o tamanho daquele pedido”, relembra. Ele escreveu a letra da música em poucos minutos, como um testemunho de fé, e pediu a ajuda de familiares para colocar melodia.
Com o estado frágil de saúde de Alexandre, que já utilizava oxigênio suplementar, a gravação convencional era impossível. A solução encontrada foi improvisar: usaram o gravador de um celular envolto por um cobertor para abafar o som do ambiente hospitalar. Assim, parte por parte, Alexandre registrou sua voz em “Vale a Pena”, canção que fala sobre esperança, fé e persistência mesmo diante da dor.
Apesar de não ter vivido para ouvir a canção finalizada, Alexandre chegou a escutar a primeira parte da gravação. A música foi finalizada após sua morte com a ajuda de recursos de inteligência artificial para melhorar a qualidade do áudio, removendo ruídos do oxigênio e ambiente hospitalar.
“Vale a Pena” já está disponível nas plataformas digitais e conta com participações especiais de Ronaldo Fagundes, Gissela Kroll, Karin Kiefer, Patrícia Lessa e Leonardo Martins. O resultado é uma peça emocionante que, segundo Alexsandro, serve como “um testamento de fé e um milagre da arte”.
De pedreiro a músico: uma vida de simplicidade e louvor
Nos anos 90, Alexandre foi um dos fundadores do grupo gospel Ângeluz, que lançou três álbuns. Porém, com o passar do tempo e o fim do grupo, ele se mudou para Corumbá (MS), onde passou a trabalhar como pedreiro — sem nunca abandonar o amor pela música e pela fé.
Mesmo diante da dor, Alexandre enfrentou a morte com serenidade. Seu último pedido agora ecoa em “Vale a Pena”, que eterniza a voz de um homem que escolheu cantar até o fim. Para muitos, esse gesto final é mais do que uma despedida — é uma lição de fé em forma de música.
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